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Escolas Cívico-Militares: Um Retrocesso para a Educação Pública do Litoral Sul

O Governo do Estado de São Paulo insiste em implementar o modelo de escolas cívico-militares, incluindo a E.E Dagoberto Nogueira da Fonseca, em Itanhaém, e outras unidades da Baixada Santista, como a E.E Professora Zulmira Campos, em Santos, e a E.E Adelaide Patrocínio dos Santos, em Praia Grande. Mas será que esse modelo é realmente […]

20 fev 2025, 14:13

O Governo do Estado de São Paulo insiste em implementar o modelo de escolas cívico-militares, incluindo a E.E Dagoberto Nogueira da Fonseca, em Itanhaém, e outras unidades da Baixada Santista, como a E.E Professora Zulmira Campos, em Santos, e a E.E Adelaide Patrocínio dos Santos, em Praia Grande. Mas será que esse modelo é realmente a solução para os problemas da educação pública?

A resposta é não. Pelo contrário, essa política representa um retrocesso. Primeiro, porque não há nenhuma evidência de que a militarização das escolas melhora a qualidade do ensino. O que de fato melhora a educação é investimento em infraestrutura, formação de professores, material didático atualizado e políticas pedagógicas inclusivas – e não a presença de militares impondo regras disciplinares rígidas.

Além disso, a militarização da educação ataca a liberdade pedagógica e a autonomia dos educadores. Professores e gestores passam a perder espaço para militares, que não têm formação pedagógica adequada para lidar com os desafios do ensino público. A educação deve preparar cidadãos críticos, não somente disciplinados.

Outro ponto grave é o desvio de recursos. O Estado pretende gastar R$ 7,2 milhões apenas na contratação de monitores militares, enquanto escolas sofrem com falta de professores, salas superlotadas e estrutura precária. Esse dinheiro poderia ser usado para melhorar a educação de verdade, em vez de bancar uma agenda autoritária que não resolve os problemas reais da sala de aula.

Por fim, há um ataque direto à comunidade escolar. A consulta pública anunciada pela Secretaria da Educação não é verdadeiramente democrática. A experiência de outros estados mostra que a imposição desse modelo vem de cima para baixo, sem diálogo real com professores, alunos e pais.

É inadmissível que escolas públicas do Brasil sejam usadas como laboratório para um modelo falho. O que precisamos é de valorização dos profissionais da educação, ampliação de projetos pedagógicos inovadores e melhoria nas condições de ensino – e não de uma falsa solução baseada em repressão e autoritarismo.