A Falácia da Expansão Educacional no Brasil
Um Modelo Ultrapassado Que Reforça as Desigualdades O sistema educacional brasileiro está estruturado para perpetuar desigualdades e limitar o potencial de inovação e desenvolvimento do país. Enquanto há uma crescente formação de profissionais em áreas como Administração e Direito, a carência de engenheiros, cientistas e técnicos se torna um entrave para o crescimento industrial e […]
Um Modelo Ultrapassado Que Reforça as Desigualdades

O sistema educacional brasileiro está estruturado para perpetuar desigualdades e limitar o potencial de inovação e desenvolvimento do país. Enquanto há uma crescente formação de profissionais em áreas como Administração e Direito, a carência de engenheiros, cientistas e técnicos se torna um entrave para o crescimento industrial e tecnológico. Essa distorção não é um acaso, mas fruto de um modelo que prioriza cursos baratos e de fácil expansão, em detrimento da formação de profissionais essenciais para a inovação nacional.
O Brasil investe pouco na formação de profissionais especializados em tecnologia. Isso reflete uma política educacional voltada à massificação do ensino superior sem um planejamento para atender às necessidades do desenvolvimento científico. Sem incentivo às áreas tecnológicas, o país continua dependente de importação de tecnologia e perde oportunidades de crescimento.
Dados do Censo da Educação Superior de 2022 indicam que, das 2.595 instituições de ensino superior no Brasil, 75,8% são faculdades, muitas oferecendo cursos em áreas como Administração e Direito. Em contraste, há uma oferta limitada de cursos em engenharia, computação e tecnologia, resultando em menor número de profissionais formados nessas áreas cruciais para o desenvolvimento econômico e tecnológico do país.
A desigualdade econômica também influencia diretamente na escolha profissional. Cursos mais baratos acabam sendo os mais acessíveis para a população de baixa renda, restringindo a mobilidade social e a possibilidade de formação em áreas mais estratégicas para o desenvolvimento do país.
A desvalorização do professor também é um problema crítico. Apenas um terço dos licenciados entre 2010 e 2021 atua na educação básica. Os baixos salários, a precarização do trabalho e a falta de estrutura escolar afastam esses profissionais da sala de aula. Por exemplo, a média nacional mostra que 85% dos docentes de educação física são licenciados na disciplina, enquanto os percentuais para sociologia e línguas estrangeiras são de 40% e 46%, respectivamente.
A diferença no acesso ao ensino superior também é um fator preocupante. Enquanto em cidades como São Caetano do Sul (SP), 50% da população tem ensino superior, em Belford Roxo (RJ), essa taxa é de apenas 6%. Essa desigualdade reforça o abismo social entre regiões e limita o potencial de desenvolvimento econômico em diversas partes do Brasil.
Diante desse cenário, torna-se ainda mais urgente a aprovação do Sistema Nacional de Educação (SNE), que garantiria maior articulação entre os diferentes níveis de ensino e possibilitaria um planejamento mais eficaz das políticas educacionais em âmbito nacional. Atualmente, a falta de um sistema integrado leva à fragmentação de responsabilidades entre municípios, estados e a União, resultando em políticas descoordenadas e ineficazes.
A TLS alerta para urgência de uma nova política educacional para reverter esse cenário. É essencial uma política educacional voltada à democratização do ensino, à valorização da carreira docente e à distribuição equitativa do acesso ao ensino superior. O Brasil precisa de uma educação que realmente transforme a sociedade e não apenas reproduza desigualdades estruturais. A educação deve ser um projeto de futuro impulsionando o desenvolvimento econômico e social do país, não um mecanismo de estagnação.
