Entre o Calor Global e os Cortes na Educação – Um Desafio Urgente
O tema da climatização nas escolas sempre foi uma preocupação central para quem luta por uma educação pública de qualidade. Contudo, diante do aumento das ondas de calor dos últimos dias – com registros de temperaturas que ultrapassaram os 40 °C – o assunto ressurge com urgência redobrada. Atualmente, enquanto professores e alunos sofrem em ambientes […]

O tema da climatização nas escolas sempre foi uma preocupação central para quem luta por uma educação pública de qualidade. Contudo, diante do aumento das ondas de calor dos últimos dias – com registros de temperaturas que ultrapassaram os 40 °C – o assunto ressurge com urgência redobrada. Atualmente, enquanto professores e alunos sofrem em ambientes insuportáveis, o governo do Estado de São Paulo alega estar realizando adequações elétricas para viabilizar a climatização das unidades escolares. Porém, não podemos deixar de questionar: por que essas medidas não foram implementadas antes?
Dados do Censo Escolar do INEP de 2024 apontam que 70% das salas de aula em escolas públicas brasileiras não possuem climatização, e, em São Paulo, somente 10% dos ambientes dispõem de sistemas capazes de amenizar os efeitos do calor. Em muitos desses espaços, as temperaturas ultrapassam frequentemente os 40 °C, transformando as salas em verdadeiros fornos. Essa situação gera desconforto extremo, prejudica a concentração, diminui o rendimento escolar e coloca em risco a saúde de alunos e professores como foi divulgado pelo Jornal a Tribuna de Santos recentemente:
https://www.atribuna.com.br/cidades/praia-grande/onda-de-calor-no-litoral-de-s-o-paulo-alunos-passam-mal-e-n-o-aguentam-ficar-na-sala-de-aula-em-escola-de-praia-grande-1.451092
Além disso, os recentes cortes orçamentários na educação intensificam o problema. Em um momento em que os impactos do aquecimento global se agravam, o governo insiste em reduzir investimentos essenciais. Emendas parlamentares destinadas à compra de aparelhos de ar-condicionado ficam muitas vezes inutilizadas devido à falta de infraestrutura, já que muitas escolas sequer dispõem de rede elétrica adequada para suportar tais equipamentos. Essa política de austeridade, aliada à preferência por parcerias e investimentos privados, evidencia um modelo que negligência a modernização do setor público.
Vivemos tempos em que o aquecimento global deixou de ser uma ameaça distante para se tornar uma realidade diária, afetando diretamente o ambiente escolar. Enquanto as temperaturas disparam e os extremos climáticos se tornam rotina, as escolas públicas – enfrentam a ausência de climatização adequada, agravada por cortes orçamentários que comprometem a manutenção e modernização das unidades de ensino.
Para nós que atuamos na linha de frente do ensino, a realidade é dura. Não se trata apenas do desconforto térmico, mas da precarização das condições de trabalho que mina a qualidade da aprendizagem. Professores relatam fadiga, desidratação e dificuldades de concentração, fatores que comprometem o planejamento das aulas e o desempenho dos alunos. A rede pública base da formação de milhões de estudantes – continua sendo negligenciada.
É clara: é urgente que o Estado reavalie suas prioridades orçamentárias e invista consistentemente na modernização das escolas. Investir na climatização das salas de aula não é um luxo; é uma demanda por justiça social e ambiental, essencial para garantir condições dignas de ensino e trabalho. Em meio a cortes que aprofundam as desigualdades, é imperativo transformar promessas em ações concretas.
Professores, unam-se nessa demanda por condições adequadas para ensinar e aprender. O futuro do país depende das condições que oferecermos hoje às nossas crianças e jovens. É hora de transformar o debate em ação, priorizando investimentos públicos que assegurem uma educação de qualidade e respeitem o direito de todos a um ambiente escolar saudável, resistente aos efeitos do aquecimento global.
A mobilização do professorado, estudantes, comunidade escolar, sindicato e sociedade civil é uma pauta mais do que urgente, afinal a luta é por condições de trabalho e uma educação pública digna, de qualidade que possa garantir o futuro dos nossos jovens e a sobrevivência da humanidade.
