Tarcísio e Feder: Uma gestão de costas para os educadores

Análise Crítica: A Implementação do “Projeto Voar” Introdução e Contextualização A implementação do chamado “Projeto Voar” pela Secretaria da Educação do Estado de São Paulo, sob a justificativa de otimizar o aprendizado através da separação de turmas por nível de desempenho, representa um preocupante retrocesso pedagógico que ignora os pilares da educação democrática e inclusiva. […]

12 fev 2026, 11:51 Tempo de leitura: 2 minutos, 28 segundos
Análise Crítica: A Implementação do “Projeto Voar”
Introdução e Contextualização

A implementação do chamado “Projeto Voar” pela Secretaria da Educação do Estado de São Paulo, sob a justificativa de otimizar o aprendizado através da separação de turmas por nível de desempenho, representa um preocupante retrocesso pedagógico que ignora os pilares da educação democrática e inclusiva.


A Crítica à Segregação e a Ótica Freiriana

Ao adotar uma lógica de segregação espacial e cognitiva, a gestão estadual desconsidera que a escola é, fundamentalmente, um espaço de alteridade e troca.

  • O Diálogo como Base: Sob a ótica de Paulo Freire, a educação é um ato dialógico e coletivo.
  • Consequência do Isolamento: Ao isolar os estudantes em grupos pretensamente homogêneos, rompe-se a possibilidade de mediação entre diferentes saberes.
  • Desumanização: Transforma-se a sala de aula em uma linha de montagem técnica onde o aluno deixa de ser um sujeito social para se tornar apenas um dado estatístico nivelado por baixo.

O Impacto Psicológico e a “Profecia Autor realizável”

A separação por “níveis” impõe aos estudantes um estigma institucionalizado:

  1. Internalização do Fracasso: O aluno relegado às turmas de menor desempenho internaliza uma percepção de incapacidade.
  2. Expectativas Docentes: Os professores, condicionados pelo sistema, tendem a reduzir suas expectativas e exigências.
  3. Teto Pedagógico: É a consolidação da “profecia autor realizável”, em que a estrutura escolar condena o jovem a um limite de aprendizado, privando-o do estímulo necessário para superar suas dificuldades iniciais.
  4. Criação de Guetos: Em vez de democratizar o acesso ao conhecimento, o projeto acaba por criar guetos de aprendizagem que limitam o horizonte de quem mais precisa de apoio.

Contradição com a Psicologia do Desenvolvimento

Do ponto de vista da psicologia do desenvolvimento, a proposta colide frontalmente com o conceito de Zona de Desenvolvimento Proximal (ZDP) proposto por Lev Vygotsky.

“Para o autor, o aprendizado é potencializado justamente pela interação entre pares com diferentes graus de domínio; o estudante que apresenta defasagens avança com mais rapidez quando inserido em um ambiente heterogêneo.”

Ao eliminar essa diversidade humana da sala de aula, o Estado de São Paulo opta por uma solução administrativa estéril que sacrifica o desenvolvimento integral do aluno em nome de uma padronização ineficaz.


Conclusão: Modernização vs. Exclusão

Em suma, o que se apresenta como uma ferramenta de modernização é, na verdade, uma medida paliativa que foge do verdadeiro enfrentamento dos gargalos educacionais.

  • A Verdadeira Excelência: Defendida por nomes como Anísio Teixeira, exige investimento direto em:
    • Tutorias personalizadas;
    • Tecnologias assistivas;
    • Reforço escolar no contraturno.
  • Veredito: O “Projeto Voar”, ao segmentar os estudantes, não lhes oferece asas, mas sim grades invisíveis que reforçam a exclusão e enfraquecem o papel transformador da escola pública.